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quinta-feira, 10 de junho de 2010

A preocupação com a variedade de tratamentos de células-tronco sem respaldo científico é refletido em um portal internacional
2010/06/09) - Um número significativo de clínicas na Argentina e em todo o mundo já oferecem tratamentos com células-tronco que podem causar sérios danos à saúde. A Sociedade Internacional para a Investigação em Células Estaminais, com sede nos Estados Unidos, adverte aos riscos num recém-lançado portal para esse efeito, onde entre outras coisas, é possível consultar sobre a seriedade de clínicas e centros de saúde.

Dado que existe uma gama de tratamentos sem base científica que o uso de células-tronco para curar determinadas doenças, aparentemente, a Sociedade Internacional para a Investigação em Células Estaminais (ISSCR) criou um comitê internacional de especialistas para conceber orientações com informações potenciais aos doentes para que eles possam tomar decisões informadas sobre sua saúde. Essas ferramentas também servem para suas famílias, médicos e outros profissionais.

O ISSCR é uma organização científica independente e sem fins lucrativos, composta por especialistas no assunto que trabalham em universidades, centros de pesquisa e outras instituições ao redor do mundo. Alguns dos seus objetivos é promover o intercâmbio e a divulgação de informações e idéias relacionadas às células-tronco, promover a investigação nesta área e estimular a formação de profissionais e do público em geral sobre esta questão.

Em reação à alegada publicidade enganosa sobre os tratamentos com células-tronco que podem ser detectadas na internet, o ISSCR formou um grupo de trabalho de 22 membros com cientistas internacionais, advogados, médicos e bioeticistas de todo o mundo. Como resultado deste trabalho, criou um site com vários recursos relacionados a este tema.

O site www.closerlookatstemcells.org, criado pela empresa, está agora apenas em inglês, mas será traduzido para o espanhol em breve. Os pacientes têm acesso a diversos recursos. Uma seção inclui questões específicas destinadas a serem conduzidas pelo usuário em potencial, para o médico responsável ou centro de saúde que oferece tratamento a fim de conhecer os riscos e benefícios envolvidos. Este conjunto de questões aborda questões relacionadas com o tratamento, a evidência científica sobre sua segurança, os direitos dos pacientes e custos, entre outros dados.

Além disso, o recém-inaugurado site fornece informações sobre os princípios fundamentais sobre a biologia de células-tronco e suas implicações para os tratamentos com base neles, incluindo o processo de tradução clínica. (...)

"Por exemplo, não há provas conclusivas clínica dos efeitos benéficos de intervenções utilizando células-tronco para doenças neurológicas como mal de Parkinson ou a doença de Alzheimer", disse Pitossi. (segue..., em espanhol) Fonte: Diario C.ar, matéria da Agencia CyTA-Instituto Leloir.
Traduzido por mim, logo tradução não oficial.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Medicina
Da Rússia, sem amor
Terapia com células-tronco sem comprovação científica fez com que um garoto desenvolvesse tumores no cérebro e na medula espinhal

Pela primeira vez, um estudo científico associou o uso de células-tronco fetais ao surgimento de tumores em um ser humano. A vítima é um garoto israelense, de 17 anos, portador de uma doença neurodegenerativa rara, a ataxia-telangiectasia. De origem genética, o distúrbio compromete os movimentos, a fala e tende a evoluir para a paralisia e a morte. Em 2001, aos 9 anos, contrariando a opinião de seus médicos, o menino foi levado por seus pais a Moscou para se submeter a um tratamento sem nenhuma comprovação científica, para conter o avanço da doença: o uso de células-tronco de fetos abortados. Sem apresentar melhoras significativas em seu quadro clínico, ele voltaria ao hospital russo mais duas vezes – uma em 2002 e outra em 2004. No ano seguinte, por causa de fortes dores de cabeça, o menino foi submetido a uma ressonância magnética. Os médicos do Centro Médico Sheba, de Tel-Aviv, encontraram um tumor no cérebro e outro na medula espinhal – justamente os locais onde foram implantadas as células-tronco fetais. Em artigo publicado na última edição da revista científica PLoS Medicine, os médicos relatam que, mediante a análise dos genes dos tumores, encontraram pelo menos duas linhagens diferentes de células. Uma delas era de origem feminina e a outra não apresentava a mutação característica da ataxia-telangiectasia. Ou seja, ambas são fruto das células fetais transplantadas. "Ao que tudo indica, esse rapaz recebeu um coquetel de células-tronco de origens diversas", diz a geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo.

Há pelo menos duas centenas de clínicas espalhadas em países como China, Rússia e Ucrânia que se utilizam de células-tronco para o tratamento das mais diferentes doenças, sem nenhum aval da ciência. Algumas vendem até o fim das rugas e da celulite. As células-tronco são aquelas capazes de se transformar em praticamente quaisquer tecidos do corpo humano. As mais versáteis são as embrionárias e as fetais. É delas que esses médicos se valem para vender falsas esperanças a pacientes vítimas de males crônicos e incuráveis. O problema é que até hoje nenhum protocolo sério de pesquisa atestou a segurança dessas terapias em seres humanos. Isso porque tais células se multiplicam de maneira rápida e desordenada, o que pode acarretar o surgimento de tumores, como no caso do garoto israelense. As únicas experiências clínicas válidas foram feitas com células-tronco adultas, retiradas da medula do próprio paciente – o que evita o risco de rejeição e outras complicações. "Os doentes têm, sim, muito a perder com as terapias que não são fruto de pesquisas científicas sérias", diz a geneticista Lygia da Veiga Pereira. As primeiras pesquisas com células-tronco embrionárias em seres humanos, sob estrito controle científico, devem ter início ainda neste ano – nos Estados Unidos e na Inglaterra.

De alto risco e sem o aval da ciência

• Cerca de 200 clínicas e hospitais oferecem tratamentos à base de células-tronco embrionárias e fetais

• Os mais procurados ficam na Rússia, China e Ucrânia

• A maioria dos pacientes é portadora de doenças neurológicas, distúrbios cardiovasculares e doenças genéticas

• 40% desses centros oferecem também tratamentos estéticos, especialmente contra rugas e celulite
Fonte (do quadro acima): revista Cell Stem Cell, dezembro de 2008.
Fonte do Artigo: VEJA; Edição 2101; 25 de fevereiro de 2009.