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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PACIENTES COM PARKINSON QUE FREQUENTAM UM NEUROLOGISTA VIVEM MAIS



 por Marina Erbolato

Um estudo com mais de 100 mil pessoas com Parkinson descobriu que os pacientes podem viver mais tempo se frequentarem um neurologista especializado em suas condições. Além disso, eles têm menos probabilidade de serem internados em uma casa de repouso ou de ter ossos fraturados. Essas descobertas são da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

MUSICOTERAPIA PARA CORPO E MENTE SÃ


Reagir à música como se esta fosse um medicamento, eis o segredo da musicoterapia, uma terapêutica em rápido crescimento, não fossem os seus processos 100% naturais e sem efeitos secundários. The sound of music… descubra os seus poderes!  A musicoterapia procura desenvolver potencialidades e/ou restaurar as funções de um indivíduo para que este possa alcançar uma melhor integração intra e interpessoal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida, através da prevenção, reabilitação ou tratamento.

*Uma história com ritmo   *Musicoterapeuta, a profissão   *Música para quem?   *Ouvir música dá saúde... como?   *Estudos interessantes   [Leia +]


Tal como na água (presumindo-se que o corpo tem 60% de água), o corpo humano também não tem uma boa reação a certas músicas. Ritmos muito marcados como o samba e funk, ou dissonantes como o Rock, exercem efeitos dispersivos e perturbadores, além de alterar todo o organismo como: pressão arterial, metabolismo, sistema imunológico, entre outros.  

Estudos realizados na Academia Francesa de Medicina apontam que ruídos fortes são responsáveis por cerca de um terço das depressões e grande parte de doenças orgânicas, além de causarem cerca de 11% dos acidentes de trabalho.

O ouvido humano está preparado a  resistir a ruídos por pouco tempo. Depois de uma hora de audição de sons acima de 100 decibéis (nível de ruído de caminhão, uma discoteca tem em média 120 decibéis)  o sistema nervoso necessita de 40 horas para se recuperar do trauma.

PARKINSON E A MAGIA DA MÚSICA

 


O autor do vídeo diz:
- "A maioria dos pacientes e um bom número de médicos pensam em DP meramente como a morte de células do cérebro, causada por uma escassez de dopamina. O tratamento é substituir a dopamina. Se essa visão fosse verdade, então este vídeo não seria possível.
Estou em um estado descrito como "off", e experimento uma sensação de "congelamento" dos movimentos. Os medicamentos não estão funcionando e os meus pés se prendem o chão. Nada acontece aumentando a dopamina, mas você vê a magia da música.
A importância aqui é que os preciosos dólares de pesquisa vão para o ralo na visão simplista desta condição, quando deveriam estar indo para novos caminhos.
Dançar é divertido, mas eu prefiro ter a opção de andar."

domingo, 7 de agosto de 2011

PENSE E DANCE

CIENTISTA MOSTRA QUE A DANÇA MELHORA A CAPACIDADE COGNITIVA
DE PORTADORES DO MAL DE PARKINSON
Fernando Duarte (fduarte@oglobo.com.br)
LONDRES - Ex-dançarino profissional com doutorado em Psicologia pela Universidade de Cambridge, Lovatt se vê numa missão de defesa e promoção de seus estudos. Até porque, alguns resultados têm sido surpreendentes mesmo para os colegas que torcem o nariz para os métodos pouco ortodoxos desse inglês de 46 anos. Ao mesmo tempo que o Laboratório de Psicologia da Dança que ele coordena na Universidade de Hertfordshire gera publicidade em talk shows e programas de variedades, também gera resultados em estudos sobre passos e firulas na capacidade cognitiva de portadores do Mal de Parkinson. Lovatt e sua equipe constataram que dançar combate os efeitos mentais degenerativos da doença.
- Já existem outros estudos mostrando que a dança ajuda nas questões de mobilidade e equilíbrio dos portadores de Parkinson, mas o que pudemos ver nos nossos estudos é que há também influência cognitiva, sobretudo no processo de pensamento divergente, em que é preciso encontrar mais de uma solução apropriada para um problema. Basicamente a dança é melhor do que o exercício tradicional para essas pessoas - explica o cientista.  [...]

DISTÚRBIO DO SONO REM É FATOR DE RISCO PARA O PARKINSON

Enfermagem & Saúde

O distúrbio comportamental do sono REM (fase do sono na qual ocorrem os sonhos), caracterizado por pesadelos nos quais a pessoa grita, chora, dá socos ou pontapés, pode ser um problema anterior ao desenvolvimento da doença de Parkinson. O último de três estudos sobre a associação entre os dois problemas acaba de ser publicado no periódico médico britânico Lancet Neurology.

A ACUPUNTURA E OS SEUS BENEFÍCIOS

Dr. Rinaldi Acupuntura

Fisioterpeuta e Acupunturista
dr.rinaldiacupuntura@gmail.com

  
A acupuntura é uma ciência que nasceu na China há aproximadamente 4.500 anos e consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo. Esses pontos são chamados de “Pontos da Acupuntura” ou “Acupontos” e são ativados para o tratamento de doenças. Isso porque eles ajudam a restaurar as funções orgânicas e trazem o equilíbrio energético corporal.

A acupuntura apresenta resultados satisfatórios em tratamentos diversos. Entre eles "a acupuntura pode auxiliar também no tratamento contra o tabagismo, para diminuir os sintomas do mal de Alzheimer e de Parkinson, e na parte estética, ajuda a combater a agressividade causada à pele e promover o equilíbrio orgânico", destaca o especialista Rinaldi.

DOENÇA DE PARKINSON E ACUPUNTURA

A doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, lenta e progressiva, e idiopática, que acomete o individuo após os 50 anos, e ambos os sexos. É caracterizada por quadros de rigidez muscular, tremor de repouso, hipocinesia (diminuição da mobilidade) e instabilidade postural.
   
Utilizamos agulhamento sistêmico (agulhas no local) lesado, para o relaxamento muscular, e propiciar assim o movimento voluntario, uso de acupuntura auricular (orelha), podemos utilizar também eletroestimulação por corrente modulada, assim como uso do Laser (uso de luz direcionada no local da lesão). Os resultados são bastante significativos.

Acidente vascular cerebral é caracterizado pelo inicio agudo de um déficit neurológico, refletindo um evento focal do sistema nervoso central, resultando em um distúrbio na circulação cerebral que leva uma diminuição do aporte de oxigênio às células cerebrais, levando a morte destas células, deixando seqüelas importantes nestes seguimentos.
Podemos dividir o AVC em duas categorias:
-Acidente vascular isquêmico consiste na oclusão de um vaso sanguíneo que interrompe o fluxo de sangue para região especifica do cérebro. 80% dos casos são de origem isquêmica.
-Acidente vascular hemorrágico consiste no derramamento de sangue no cérebro, com agravantes no aumento da pressão intracraniana, edema ou inchaço no cérebro. 20% dos casos são de origem hemorrágica.    

sábado, 23 de julho de 2011

ERVA MEDICINAL CHINESA PODE AJUDAR DOENTES DE PARKINSON


Conclusão é de um estudo da Universidade Batista de Hong Kong


Uma erva medicinal chinesa poderá ser eficaz no tratamento da doença de Parkinson e ainda dos efeitos secundários provocados pelos tratamentos com medicamentos «ocidentais», revela um estudo da Universidade Batista de Hong Kong, escreve a Lusa.

O estudo refere que os pacientes tratados com a erva medicinal chinesa «gou teng», feita à base de caules e espinhos de videira, apresentaram melhorias significativas ao nível da capacidade de comunicação e uma moderação de sintomas como a depressão e dificuldade em adormecer.

«Os resultados são agradáveis», disse Li Min, professora da Faculdade de Medicina da universidade que liderou a equipa de investigadores, ao ressalvar, no entanto, que «a doença de Parkinson é incurável independentemente se tratada com medicamentos ocidentais ou chineses».

Li Min espera que a erva medicinal chinesa possa ser amplamente utilizada nos tratamentos depois da segunda fase do seu estudo estar completa, em 2013. A erva pode ser comprada sem restrições mas a investigadora aconselha os pacientes a só a utilizarem caso esta seja prescrita por um médico.

A doença de Parkinson normalmente é tratada com medicamentos que provocam efeitos secundários como náuseas e alucinações. Ao utilizarem a erva medicinal chinesa, os pacientes puderam diminuir a dosagem dos medicamentos que tomavam e, por conseguinte, os seus efeitos.

MASSAGEM AJUDA PORTADORES DO MAL DE PARKINSON


A massagem tem se mostrado muito eficiente para uma série de problemas que vão de dor ao estresse, mas pessoas portadoras do mal de Parkinson podem se beneficiar de uma forma especial da massagem terapêutica. Para entender melhor sobre a forma pela qual a massagem pode ajudar estas pessoas é necessário uma breve descrição sobre esta doença.

O mal de Parkinson é um doença crônica e degenerativa do sistema nervoso. Em 1817, o médico inglês James Parkinson primeiro observou que esta doença ocorre devido a morte de células dentro do cérebro que produzem o neurotransmissor chamado dopamina, desta forma o gânglio basal não recebe mais dopamina. Dentro do cérebro, o gânglio basal é responsável por controlar os movimentos portanto desprover o gânglio basal de dopamina causa problemas com o equilíbrio, coordenação e postura. A "The Parkinson's Action Network" cita que mais de 1 milhão de pessoas nos Estados Unidos são afetadas por esta doença além de um adicional de 60.000 pessoas diagnosticas a cada ano.  Tipicamente o mal de Parkinson não é uma doença que ameaça a vida do paciente, mas deixa as pessoas incapacitadas e impossibilitadas de trabalhar por anos ou até mesmo décadas.

O mal de Parkinson ainda é incurável e as causas desta doença são  relativamente desconhecidas. Em janeiro de 1999, pesquisadores do "American Medical Association" concluíram que o mal de Parkinson era causado por uma combinação de fatores genéticos e ambientais, com isto pessoas com menos de 50 anos de idade são afetadas por fatores genéticos (um exemplo disto é o ator Michael J. Fox com apenas 40 anos de idade, portador do mal de Parkinson). Nos últimos anos, no entanto, acreditava-se que o mal de Parkinson era causado mais por fatores ambientais, visto que o número de portadores da doença com menos de 50 anos aumentou dramaticamente. 

Alguns dos sintomas do mal de Parkinson são: tremores, dificuldade para iniciar movimentos, rigidez, postura "pobre", depressão e dificuldade de dobrar os braços e as pernas.

O tratamento com drogas tradicionais são tipicamente prescritos pelos médicos porém com benefícios limitados. Inicialmente os tratamentos trazem alívio aos pacientes mas depois de um tempo os benefícios cessam e efeitos colaterais tais como alucinações podem aparecer. A L-dopa, versão de dopamina produzida pelos laboratórios, é uma droga comum no tratamento para o mal de Parkinson. Devido a diminuição na eficácia das drogas, mais e mais pessoas que sofrem do mal de Parkinson procuram por terapias alternativas para aliviarem os sintomas.
"Muitas pessoas com o mal de Parkinson acham que a massagem é muito útil quando utilizada em conjunto com os tratamentos convencionais prescritos pelos neurologistas" - diz Zoe Reese Carter, massoterapeuta. "Muitas pessoas não hesitam quando pensam em gastar dinheiro com a massagem. Eles consideram a massagem como um forma de manutenção da saúde e não como uma forma de luxúria."

A massagem, sob a supervisão do médico, pode melhorar o fornecimento de sangue, reduzir o estresse, melhorar a circulação sanguínea. Os músculos vão se tornando fatigados devido aos sintomas de tremor, muito parecido com os que acontece com os músculos dos atletas, que ficam fatigados,  após as competições. A grande diferença nesta comparação é que o atleta tem tempo para que seus músculos se recuperem mas o doente de mal de Parkinson não tem a mesma sorte já que a doença não dá descanso aos músculos.

Quando estes pacientes que sofrem do mal de Parkinson recebem massagem, seus músculos relaxam e ganham flexibilidade. De acordo com um artigo chamado "Parkinson's Disease And Massage Therapy"  - Mal de Parkinson e a Massagem- escrita por  Dietrich Miesler, "O raciocínio é que melhorando a saúde fisiológica, os músculos estarão melhor para responder ao sinais impróprios que são recebidos do sistema nervoso" ´- Massage Therapy Journal - 1996.

Os médicos têm relutado em aceitar a massagem, especialmente pela falta de pesquisas sobre a eficácia da massagem nestes casos. De acordo com a " National Parkinson Foundation " - Fundação Nacional Parkinson, "Com forma de determinar que qualquer tratamento tenha efeito sobre a doença, os médicos são treinados para exigir evidências, para tanto devem utilizar o método clínico controlado de placebo (forma farmacêutica sem atividade, cujo aspecto é idêntico ao de outra farmacologicamente ativa). Entretanto, num estudo recente com portadores do mal de Parkinson, um bom número de pessoas disseram que usam uma forma alternativa de terapia.

Num estudo conduzido pela "American Academy of Neurology" - Academia Americana de Neurologia - publicado em 11 de  setembro de 2001, quarenta por cento (40%) das 201 pessoas que responderam ao estudo, disseram que usam alguma forma de terapia alternativa tais com vitaminas e ervas ou  massagem e técnicas de relaxamento também listados como terapias comumente usadas. Uma preocupação levantada por um dos pesquisadores, o neurologista Stephen Reich, M.D., é que 58 por cento dos que usam terapias alternativas não consultaram seus médicos antes de iniciarem o tratamento alternativo, por isto é importante que o massoterapeuta trabalhe em conjunto com o médico quando tratar alguma pessoa que sofre do mal de Parkinson. Por exemplo, se a massagem diminui a depressão do paciente, então drogas tais como Prozac talvez não sejam necessárias. Em outra pesquisa, 11 por cento das pessoas que procuraram uma terapia alternativa o fizeram por indicação de um profissional de saúde enquanto 48 por cento procuram as terapias alternativas por intermédio de amigos e familiares.

Muito médicos estão preocupados que seus pacientes experimentem suplementos alternativos que ainda não estão provados que ajudam pessoas com mal de Parkinson. Suplementos naturais que contém L-dopa podem ser perigosos porque cada pessoa necessita de um certa quantidade de dopamina e pacientes com mal de Parkinson pode experimentar efeitos colaterais ou overdoses tomando doses excessivas de suplementos alternativos.

Dr. Robert G. Feldman, professor de neurologia, farmacologia e saúde ambiental no Colégio Boston, acredita que pessoas experimentam estes suplementos sem o consentimento de seus médicos porque eles acham que os médicos irão desaprovar. Isto pode levar a maiores problemas se a pessoa está tomando outros medicamentos. A massagem, no entanto, é uma terapia segura para os que sofrem do mal de Parkinson.  

Um variedade de técnicas de massagem tais como Suéca, reflexologia, trigger points e neuromuscular podem ser úteis aos pacientes com mal de Parkinson. O terapeuta deve escolher a técnica de acordo com seu treinamento e resultado desejado. De acordo com o web site da "Fundação Nacional de Parkinson" - National Parkinson Foundation , "É importante encontrar um terapeuta bem treinado que entenda da doença de Parkinson ou que esteja desejando aprender sobre ela, é desejável que o terapeuta adapte sua prática às limitações do paciente".  

Pessoas com mal de Parkinson não possuem, na sua maioria, a mesma facilidade para subir e descer da maca, assim alguns cuidados devem ser tomados quando estiver tratando com estes pacientes.  Muitos terapeutas, quando estão realizando a massagem em pessoas com mal de Parkinson,  realizam suas sessões de massagem no chão.  Os terapeutas devem ser sensíveis quando estão tratando com este tipo de paciente já que eles estão sofrendo física e emocionalmente.

The National Parkinson Foundation, www.parkinson.org


APRENDA A FAZER...

As mãos são constituídas de centenas terminações nervosas a cada centímetro quadrado de pele. Estas terminações nervosas fazem das mãos e dos dedos pontos de alta estimulação pelo toque, pressão e temperatura...[leia mais]


De acordo com a teoria da reflexologia os pés têm um importante papel dento do sistema nervoso. Cada um dos nervos dos pés - e são milhares- está conectado a alguma outra parte correspondente do corpo... [leia mais]


terça-feira, 12 de julho de 2011

A FRAQUEZA DAS CÉLULAS-TRONCO [3/3]


Um estudo de revisão publicado em janeiro de 2007 na revista científica Neurology analisou dados divulgados por outros 62 trabalhos e concluiu que o número de casos de Parkinson em pessoas acima de 50 anos vai dobrar nas próximas duas décadas em 15 países do globo. O trabalho analisou estatísticas das nações mais populosas do mundo, entre as quais está o Brasil, e das cinco maiores da Europa. Em 2005 esse conjunto de países tinha entre 4,1 milhões e 4,6 milhões de pacientes com Parkinson. Em 2030 terá de 8,7 milhões a 9,3 milhões de casos da doença. Nesse mesmo período o número de doentes no Brasil saltará de 160 mil para 340 mil. Segundo o artigo científico, as taxas estimadas de crescimento da incidência do Parkinson em países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil, que estão passando apenas agora por um processo de envelhecimento de sua população, serão superiores a 100%. Em economias já desenvolvidas e compostas atualmente por um grande número de idosos, como Japão, Alemanha, Itália e Reino Unido, a quantidade de doentes deverá aumentar menos de 50%.

De forma grosseira, estima-se que 1% dos habitantes do planeta com mais de 65 anos deverão ter Parkinson. Mas o índice pode variar bastante de acordo com as características da população analisada. Um estudo feito em 2006 na cidade de Bambuí, em Minas Gerais, encontrou uma incidência elevada do Parkinson, de mais de 7,2% em meio a um grupo de 1.186 indivíduos com mais de 64 anos. O valor é três ou quatro vezes maior do que o encontrado em trabalhos semelhantes realizados na Europa, Ásia e Estados Unidos. Quase metade dos casos da doença em Bambuí  tinha sido induzida pelo uso descontrolado de remédios contra psicoses e vertigens. “Atualmente acreditamos que a quantidade de casos da doença decorrentes do emprego sem controle de drogas diminuiu”, afirma Francisco Cardoso, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenador do estudo. “O controle na venda de remédios melhorou no país.”

As células-tronco não são a única aposta da ciência para aprimorar as formas de tratamento do Parkinson. Não há perspectivas de cura da doença a curto prazo. No entanto, os pesquisadores esperam ser possível barrar a evolução desse distúrbio  neurológico ou ao menos retardar sua progressão por meio do desenvolvimento de novos remédios e cirurgias mais eficazes e, se possível, menos invasivas. “Hoje tentamos compensar os efeitos do Parkinson por meio da administração de medicamentos orais”, diz Cardoso.  “Mas a forma como repomos a dopamina não é boa.” Quando, por exemplo, o paciente toma a droga levodopa, um precursor da dopamina, seu cérebro entra em contato com altas concentrações do neurotransmissor. Com o passar do tempo, a quantidade da substância diminui. Dessa forma, o doente tratado experimenta ciclos de excesso e de falta do neurotransmissor, vivendo um movimento que lembra uma gangorra química, com altos e baixos de dopamina.

Alguns remédios tentam regular o momento em que a dopamina, produzida de forma artificial devido à ingestão de levodopa, se torna disponível para ser usada pelo cérebro do doente. Mas o controle desse processo ainda precisa ser refinado e a imitação dos mecanismos fisiológicos é imperfeita. A situação se torna ainda mais complicada quando as drogas deixam de controlar os sintomas do Parkinson ou começam a provocar efeitos colaterais. O uso prolongado de precursores da dopamina causa, às vezes, movimentos involuntários e repetitivos, denominados tecnicamente de discinesias, que podem levar o paciente a morder os lábios, colocar a língua para fora ou piscar rapidamente. Nesses casos a cirurgia de estimulação profunda do cérebro, a DBS, pode ser indicada.

Há dois anos a equipe do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade Duke (EUA) e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), sugeriu que a estimulação elétrica talvez possa produzir bons resultados contra o Parkinson sem a necessidade de abrir o crânio dos doentes. Num artigo que foi capa da revista científica Science de 20 de março de 2009, Nicolelis relatou um bem-sucedido experimento com ratos e camundongos que tinham Parkinson induzido: a instalação de pequenos eletrodos na superfície da medula espinhal dos animais levou-os a recobrarem a capacidade normal de locomoção. Segundo o cientista, o procedimento de colocação dos eletrodos dura 20 minutos, é pouco invasivo (abre-se apenas a pele do animal) e seguro. A nova abordagem, que agora está sendo testada em macacos, foi a primeira tentativa de tratamento do Parkinson a não atuar diretamente no cérebro.

É difícil prever se novas terapias  contra o Parkinson vão surgir de estudos como os feitos pelas equipes de Mayana Zatz, na USP, e Esper Cavalheiro, na Unifesp. Por ora, esses trabalhos, e também o de outros cientistas, ainda se constituem em linhas de pesquisa a serem trilhadas, e não em possibilidades imediatas de tratamento. Mas os médicos que cuidam das pessoas com Parkinson não veem motivo para pessimismo. Os pacientes vivem cada vez mais tempo com a doença, décadas inclusive, embora haja a questão delicada dos efeitos colaterais causados pelos remédios, e os eletrodos e baterias usados nas cirurgias DBS se tornam menores e mais eficientes.  “Ainda não sabemos como os neurônios ‘conversam’ entre si, mas hoje conseguimos registrar a atividade de uma quantidade maior de células no cérebro”, afirma o neurocirurgião Manoel Jacobsen Teixeira, professor da USP e membro do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A FRAQUEZA DAS CÉLULAS-TRONCO [2/3]



Ligado a um pequeno gerador implantado debaixo da pele, os eletrodos tentam melhorar a comunicação entre os neurônios. A delicada cirurgia para a colocação dos eletrodos é conhecida como estimulação profunda do cérebro (deep brain stimulation, ou simplesmente DBS). Com exceção dessas duas abordagens, todos os demais procedimentos contra a doença ainda se encontram no estágio de testes, sem aprovação dos órgãos médicos.

Mensageira química produzida por menos de 0,3% das células nervosas, a dopamina pertence a uma classe de substância denominada neurotransmissores, cuja função básica é levar adiante a informação, na forma de sinais elétricos, de um neurônio a outro.

Esse processo de comunicação entre neurônios é conhecido como sinapse. A dopamina atua especificamente em centros cerebrais ligados às sensações de prazer e dor, tendo papel comprovado nos mecanismos que geram dependência e vícios e também no controle dos movimentos. Nos casos de Parkinson, a questão motora se mostra claramente afetada devido à falta do neurotransmissor.

É muito fácil misturar os fibroblastos com as células-tronco mesenquimais – e essa confusão pode ser a origem dos resultados inconclusivos e contraditórios de muitas tentativas de se tratar Parkinson com terapias celulares. Ambos os tipos de células têm a mesma origem. Derivam do mesênquima, o tecido conjuntivo primordial, presente no embrião, a partir do qual se formarão vários tipos de células.

Apesar da origem comum, os fibroblastos e as células-tronco mesenquimais apresentam propriedades distintas. Responsáveis pela síntese do colágeno, os fibroblastos formam a base do tecido conjuntivo num indivíduo adulto. São, portanto, células especializadas e diferenciadas. Já as células-tronco mesenquimais ainda são bastante indiferenciadas e têm a capacidade de gerar muitos tipos de tecidos, como ossos, cartilagem, gordura, células de suporte para a formação do sangue e também tecido fibroso conectivo.

“É quase impossível distinguir esses dois tipos de células se simplesmente as examinamos num microscópio”, comenta o bioquímico Oswaldo Keith Okamoto, do Centro de Estudos do Genoma Humano, coordenador do artigo publicado na Stem Cell Reviews and Reports. “Elas crescem in vitro nas mesmas condições e só conseguimos distingui-las com o auxílio de marcadores e ensaios específicos.”

As células-tronco mesenquimais apresentam ainda uma importante particularidade. Têm propriedades imunossupressoras e podem reduzir a necessidade de tomar remédios para diminuir a rejeição a órgãos e tecidos transplantados.

Não há evidências sólidas de que as células-tronco mesenquimais tenham a capacidade de gerar os neurônios que estão em falta ou são pouco funcionais nos pacientes com Parkinson. Elas parecem melhorar o ambiente em que ocorrem as lesões associadas às doenças, diminuir a inflamação local e favorecer a preservação de mais células nervosas.

“Seus efeitos poderiam ser indiretos, ao diminuir a inflamação no cérebro”, diz Okamoto. Foi isso o que os pesquisadores paulistas verificaram no experimento com ratos. Eles injetaram as células-tronco no cérebro de um grupo de 10 roedores doentes com Parkinson induzido e, um mês depois, viram que eles não apresentavam sintomas da doença. Estavam tão saudáveis quanto os animais do grupo de controle que não tinham Parkinson. Esse resultado bate com conclusões de outros estudos semelhantes realizados aqui e no exterior.

A grande novidade ocorreu na segunda parte do experimento. Os cientistas inseriram uma cultura de fibroblastos num outro grupo de 10 ratos, também com Parkinson. O resultado foi desastroso. Um mês depois do procedimento os animais passaram a exibir mais problemas motores e o número de neurônios dopaminérgicos na substância negra se reduziu à metade.

A uma terceira leva de roedores doentes foi administrada uma mistura, em partes iguais, dos dois tipos de células. Nesse grupo não se verificou melhora alguma. É como se os fibroblastos tivessem anulado os aparentes efeitos benéficos das células-tronco. “Eles parecem ser neurotóxicos”, afirma Mayana.

Na Índia, um grupo de médicos e cientistas do BGS-Global Hospital, de Bangalore, está testando o uso de células-tronco mesenquimais em sete pacientes humanos com Parkinson com idade entre 22 e 62 anos. Obtidas da medula óssea dos próprios doentes, as células foram injetadas nos cérebros lesados de acordo com um protocolo local criado pelos indianos.

Num artigo publicado em fevereiro do ano passado na revista Translational Research, os pesquisadores relataram diminuição dos sintomas da doença em três dos sete pacientes e disseram que a abordagem parece segura. Os resultados, no entanto, ainda são preliminares e devem ser vistos com reservas. “Talvez os transplantes de células-tronco mesenquimais não se tornem um tratamento definitivo para o Parkinson, mas complementar, como uma neuroproteção”, pondera Okamoto.

“Esse tipo de estudo pode nos auxiliar a entender como minorar o ambiente degenerativo no cérebro e, quem sabe, criar novos fármacos contra a doença.”

Genes, ambiente e mistério - Apesar de existirem casos de indivíduos jovens com Parkinson, como o famoso ator canadense Michael J. Fox, que, aos 30 anos, recebeu a notícia do diagnóstico da doença, essa desordem neurológica aparece com mais frequência em pessoas com mais de cinco ou seis décadas de vida.

"Pacientes com menos de 50 anos são considerados precoces e representam uns 20% do total”, diz o neurologista Luiz Augusto Franco de Andrade, do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. “Mas já tratei de um menino de 13 anos com Parkinson.”

Há evidências crescentes de que fatores ambientais e genéticos podem estar implicados no aparecimento da doença, ao menos em alguns casos. Um estudo de pesquisadores da Escola Médica de Harvard, publicado em outubro do ano passado na revista Science Translational Medicine, mostrou que centenas de genes ligados ao funcionamento das mitocôndrias, organelas que são a usina de energia do organismo, estão menos ativos em pacientes com Parkinson.

 Até mesmo pessoas que se encontram num estágio inicial ou até pré-Parkinson parecem apresentar essas alterações. Se essa conexão entre as mitocôndrias e a doença se confirmar, drogas que atuem sobre esses genes podem se tornar úteis no tratamento do problema.

Dobro de doentes em 2030 - Numa linha semelhante de investigação, um estudo divulgado em setembro de 2010 pelos National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, sugeriu que indivíduos com uma determinada versão do gene GRIN2A poderiam se beneficiar mais do consumo de café e chá. Em pessoas com esse perfil genético a ingestão de bebidas com cafeína atuaria como um fator de proteção ao  Parkinson. A busca por substâncias que auxiliam na manutenção dos neurônios é uma estratégia adotada por muitos grupos de pesquisa. A administração da proteína GDNF,  que atua nesse sentido, é alvo de testes  há anos para checar sua possível ação contra a doença.

A despeito de avanços localizados na compreensão de possíveis mecanismos implicados em sua gênese, o Parkinson ainda mantém o status geral de doença neurodegenerativa de causa misteriosa e inexplicada. Ninguém sabe ao certo por que os neurônios produtores de dopamina começam a morrer ou param de funcionar direito num ponto da vida de certas pessoas. De concreto há um dado palpável da realidade atual: o envelhecimento de uma população é um grande fator de risco para o Parkinson. Essa questão é particularmente preocupante nas nações em desenvolvimento que estão mudando rapidamente a estrutura etária antes de se tornarem ricas.

Ainda visto como uma nação de jovens, o Brasil alterará drasticamente seu perfil demográfico nas próximas décadas. Um relatório do Banco Mundial divulgado no mês passado destaca que sua parcela de habitantes com 65 anos ou mais subirá dos atuais 11% para 49% em 2050. Num período de 40 anos o número de idosos triplicará. Saltará de menos de 20 milhões para cerca de 65 milhões. “A velocidade do envelhecimento populacional no Brasil será significativamente maior do que ocorreu nas sociedades mais desenvolvidas no século passado”, dizem os responsáveis pelo relatório Envelhecendo num Brasil bem mais velho.  Na França,  foi necessário mais de um século para sua população com idade igual ou superior a 65 anos aumentar de 7% para 14% do total.  “Nos últimos anos a gerontologia moderna enfatizou mais os ganhos do que as perdas físicas e mentais do processo de envelhecimento”, afirma a antropóloga Guita Grin Debert, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estuda questões ligadas às mulheres e à velhice. “Temos especialistas em doenças, mas não muitos no processo de envelhecimento.”

domingo, 10 de julho de 2011

A FRAQUEZA DAS CÉLULAS-TRONCO [1/3]

Pesquisa Fapesp 

 

Há três décadas a terapia celular tem sido uma fonte sucessiva de entusiasmo e decepção para os pacientes com mal de Parkinson, doença caracterizada pela morte progressiva dos neurônios responsáveis pela produção de uma importante substância química, o neurotransmissor dopamina.

Nos anos 1980 uma abordagem polêmica contra a doença, que inicialmente parecia promissora, foi testada em animais e até em seres humanos em países como Suécia, Estados Unidos e México: a realização de transplantes com células extraídas da glândula adrenal ou do tecido cerebral imaturo de fetos abortados. A lógica dessas cirurgias, discutíveis inclusive do ponto de vista ético, era dotar a estrutura cerebral conhecida como substância negra – lesada nos pacientes pela perda progressiva dos neurônios dopaminérgicos – com uma nova população de células capazes de fabricar o neurotransmissor.

Dessa forma, os principais sintomas do Parkinson, como tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos e dificuldade para falar e escrever, poderiam ser eliminados. Os resultados da abordagem foram decepcionantes. Nos casos em que houve melhora, o bem-estar dos pacientes foi passageiro. Em outros, nem isso ocorreu e a tentativa de tratamento até piorou a doença, levando à morte alguns indivíduos.

Um grupo de biólogos e neurocientistas paulistas pode ter descoberto um dos motivos por trás do fracasso das antigas terapias celulares contra o Parkinson e talvez compreendido por que as versões mais modernas e refinadas desse tipo de tratamento experimental, hoje baseadas no emprego das chamadas células-tronco, continuam a dar resultados inconsistentes.

Os transplantes que têm sido testados nos estudos pré-clínicos, em animais de laboratório, podem conter uma quantidade significativa de fibroblastos, um tipo de célula da pele extremamente parecido com algumas células-tronco, mas que tem propriedades totalmente diferentes.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) publicaram no dia 19 de abril passado um estudo na versão on-line da revista científica Stem Cell Reviews and Reports mostrando que, em ratos com Parkinson induzido, a presença de fibroblastos humanos anula os possíveis efeitos positivos de um implante de células-tronco mesenquimais, obtidas do tecido do cordão umbilical de recém-nascidos.

“Quando administramos apenas as células-tronco, os ratos melhoraram dos sintomas da doença”, diz a geneticista Mayana Zatz, uma das autoras do artigo, que coordena o Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) mantidos pela FAPESP, e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Celulas-Tronco em Doenças Genéticas Humanas. “Mas, quando injetamos também os fibroblastos, os efeitos benéficos desapareceram e houve até uma piora.

 É possível que muitos resultados ruins em trabalhos científicos com terapias celulares se devam a esse tipo de contaminação.” De acordo com os pesquisadores, o trabalho é o primeiro a mostrar, no mesmo modelo animal, tanto os efeitos positivos do emprego de células-tronco mesenquimais contra o Parkinson como os malefícios da contaminação por fibroblastos.

Além de representar um avanço no conhecimento básico sobre os eventuais benefícios das terapias celulares num órgão tão complexo e delicado como o cérebro, o resultado do trabalho serve de alerta para os familiares de pessoas com Parkinson. Não há, em nenhum país do mundo, tratamento oficialmente aprovado à base de células-tronco para combater essa ou outras doenças neurodegenerativas.

“É preciso olhar com cuidado as pesquisas com células-tronco e não fazer falsas promessas de cura”, afirma outro autor do artigo, o neurocientista Esper Cavalheiro, da Unifesp, que encabeça os trabalhos do Instituto Nacional de Neurociência Translacional, um projeto conjunto da FAPESP e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

“Antes de propormos terapias, precisamos entender todo o mecanismo de diferenciação das células-tronco nos diversos tecidos do organismo e compreender como o cérebro faz para ‘conversar’ e direcionar a atuação dessas células.” Até hoje as únicas doenças que contam com um tratamento à base de células-tronco são as do sangue, em especial os cânceres (leucemias). Contra esse tipo de problema, os médicos lançam mão, há décadas, do transplante de medula óssea, rica em célula-tronco hematopoéticas, precursoras do sangue.

Ainda sem cura, o Parkinson atualmente é controlado com o auxílio de medicamentos, como a levodopa, que podem ser convertidos pelo cérebro em dopamina. Em casos mais graves há ainda uma segunda alternativa: implantar eletrodos no cérebro de pacientes que não respondem bem ao tratamento ou apresentam muitos efeitos colaterais em decorrência do uso dos remédios.

[continua...]

quinta-feira, 7 de julho de 2011

CORPO E MENTE EM APRUMO


- "Mesmo em momentos de crise,
o corpo reage surpreendentemente quando começo a dançar".
Edson Claro.


Coragem é melhor palavra para sintetizar a trajetória de vida do bailarino, coreógrafo e professor de dança Edson Claro. Exigente e disciplinado, aposentado pelo Departamento de Artes da UFRN, Claro continua na ativa e produzindo dentro dos novos limites impostos pelo mal de Parkinson. Diagnosticada há cerca de oito anos, a grave doença tornou-se secundária diante do poder que a dança exerce sobre seu corpo: além de inspiradora, se transformou em fonte vital de energia.

Afastado dos palcos, mas não da dança, Edson Claro, 61, está em pleno momento de criação: divide seu tempo entre as sessões de terapia, a concepção do livro "Dançando com Parkinson" e os ensaios de duas coreografias inéditas - o duo "E a vida nos prepara para..." e o solo "Petrus". O livro terá oito capítulos (cinco já concluídos) e deverá ser lançado no primeiro semestre de 2012, já as coreografias estréiam no próximo dia 28 de setembro no Teatro Alberto Maranhão.

“Parei de me esconder", disse Edson com todas as letras durante entrevista concedida à TRIBUNA DO NORTE no salão de festas do edifício onde mora, em Areia Preta. Longe de estar acomodado, apesar de mais conformado e tranquilo, Claro resolveu compartilhar sua experiência e explicar como a dança vem transformando seu tratamento e melhorando sua qualidade de vida: "Estou vivendo um paradoxo com o Parkinson", afirma. "Mesmo em momentos de crise, o corpo reage de forma surpreendente quando começo a dançar. As pessoas ficam assustadas quando percebem a minimização dos sintomas", disse entusiasmado ao lembra-se da homenagem recebida durante o Dia Internacional da Dança no palco do TAM.

Cotidiano

É o próprio Edson quem trabalha, duas vezes por semana, no livro "Dançando com Parkinson", com uma técnica apelidada por ele de 'dedodatilografia'. Afeito ao desenvolvimento de conceitos que extrapolam determinada temática, ele adota abordagens transdisciplinar e multidisciplinar para construir seu texto: "Será um livro muito interessante para médicos, pacientes e família de pacientes, neurologistas, terapeutas e bailarinos. Sempre procuro trabalhar com essa mescla de conhecimentos", garante o professor.

Claro sentiu os primeiros sintomas do Parkinson em Portugal, aos 53 anos, quando estava concluindo sua tese de pós-Doutorado na Faculdade de Motricidade Humana. Toma um sem número de remédios - "melhor nem citar", brinca - e frequenta aulas de Pilates com a terapeuta Mariana; hidroterapia, com o professor Rodrigo; e fonoaudiologia com Suely Suerda. Seu tratamento também inclui acompanhamento pelo médico neurologista Mário Emílio Dourado; e a presença diária de Isabel Claro, que se tornou sua esposa após cinco anos de cuidados. "Faço questão de citar todos", frisa o professor, que veio parar em Natal no início da década de oitenta para descansar e acabou ficando.

“Era um professor muito requisitado em São Paulo, viajava bastante, mas quando conheci Natal sabia que aqui era o meu lugar", lembra. Hoje mora na beira mar com Isabel e duas cadelinhas: a poodle Tina Turner e a pinscher Mila.



Dança moderna

As novas coreografias criadas por Edson Claro serão interpretadas pelos bailarinos Margoth Lima e Juarez Moniz da Cia de Dança do Teatro Alberto Maranhão, braço contemporâneo da EDTAM. "São dois momentos do amor: adolescente e adulto", adianta o autor. A coreografia "Petrus", concedida em homenagem à amiga e também professora de dança Petrúcia Nóbrega, é um solo protagonizado por Margoth Lima, por quem Edson Claro derrama-se em elogios: "Estou tirando tudo que posso dela. Margoth vai ser uma estrela, na verdade ela já é e está descobrindo isso", garante o exigente professor”.

Edson trabalha a métrica, a contagem e outros detalhes teóricos das coreografias em seu apartamento, e os ensaios acontecem no mesmo salão onde concedeu entrevista. "Despachei, no bom sentido, uns cinco ou seis para o exterior com a mesma alegria e dedicação", emociona-se o professor, cuja trajetória se confunde com a trajetória de grupos como Balé Stagium e Cia Cisne Negro, de São Paulo; e grupos potiguares que fizeram história como o Acauã, Cia de Dança dos Meninos e Gaia Cia de Dança.

"Foi um grande desafio trabalhar com Edson Claro, pois ele trouxe novas técnicas da dança moderna para meu repertório contemporâneo", disse Margoth Lima. "A montagem fluiu muito bem não houve nenhuma dificuldade", finaliza a bailarina.

Para Wanie Rose, coordenadora da EDTAM e da Cia de Dança do TAM, "é uma honra tê-lo conosco. Edson Claro encanta e a dança acende ainda mais a luz dele", conclui.



Homenagem em forma de prêmio

O coreógrafo e produtor do grupo Gira Dança, Anderson Leão, ex-aluno de Claro, lembra bem do episódio no Teatro Alberto Maranhão em abril: "Foi uma grande felicidade quando Edson Claro anunciou que estava produzindo. Também nos pegou de surpresa ao pedir que todas pessoas, que estavam na plateia e que já tinham estudado ou trabalhado com ele, subissem ao palco. Reforçou seu pedido generalizado de 'coragem', e convidou para que sambássemos junto com ele. Foi uma noite emocionante, muito importante para quem trabalha com dança em Natal", lembra Leão.

Anderson participou da extinta Roda Vida Cia de Dança, projeto de extensão do Dearte/UFRN criado em 1995 pelos professores Edson Claro e Henrique Amoedo. "Foi uma das primeiras iniciativas aqui de Natal, ao lado de Antônio Soares do grupo Anjori, a trabalhar com bailarinos portadores de deficiências", contou.

A importância de Edson Claro para a formação do Gira Dança foi traduzida pelo grupo ao batizar um prêmio com o nome do professor: "Desde 2009, concedemos (grupo Gira Dança) o Prêmio Edson Claro de Dança aos destaques da dança potiguar. Escolhemos seu nome por ter sido sempre um grande incentivador", ressalta Anderson Leão. Em 2011, a entrega deverá acontecer em novembro durante a III Mostra Gira Dança. "É um evento voltado parta a valorização da dança contemporânea na capital potiguar", aponta.