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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

RAPIDINHO - UM RECADO DO DRAUZIO VARELLA!!!

Consciência no estado vegetativo

 Drauzio Varella

O estado vegetativo é a mais frustrante das condições humanas. A
pessoa está viva, abre os olhos, dorme, acorda, executa as funções
fisiológicas, mas durante meses, anos, permanece alheia, incapaz de
esboçar a menor reação.

Nessa situação, os familiares costumam perguntar: “Ela entende o que
nós falamos?”, “Percebe que estamos do lado dela?”.

Para a medicina, estado vegetativo é uma condição na qual pacientes
que emergem do coma parecem ter acordado, mas não dão qualquer sinal
de haver recuperado a consciência. Para que o diagnóstico seja feito,
não pode existir a menor evidência de algum comportamento intencional
em resposta a estímulos externos.

A impossibilidade de documentar sequer resquícios de atividade mental
através de testes comportamentais e dos exames neurológicos clássicos
criou para os que se encontram nessa condição a imagem de
mortos-vivos.

Nos últimos vinte anos, entretanto, o advento de novos métodos de
avaliação das funções mentais permitiu identificar ilhas de atividade
cognitiva preservada, em pequena porcentagem de casos classificados
como tipicamente vegetativos.

Nessa linha, pesquisadores de Cambridge, na Inglaterra, acabam de
publicar uma observação que despertou interesse imediato nos meios
científicos. Através da ressonância magnética funcional, exame
radiológico que permite obter imagens muito nítidas do sistema nervoso
central e indicar os centros cerebrais que entram em atividade ao
executarmos determinada tarefa, os autores estudaram uma moça de 23
anos que sofreu traumatismo craniano num acidente automobilístico
ocorrido em julho de 2005. Cinco meses mais tarde a paciente
permanecia em estado vegetativo: incapaz de responder aos estímulos,
embora mantivesse os ciclos alternados de sono e vigília.

Numa primeira experiência, os neurologistas submeteram-na à
ressonância magnética para avaliar se as áreas cerebrais responsáveis
pela coordenação da linguagem entravam em atividade quando ela ouvia
frases como: “Tem leite e açúcar no seu café”. Os resultados foram
comparados com os obtidos quando o estímulo era provocado por ruídos
desconexos e com aqueles realizados em voluntários (grupo-controle).

Ao ouvir as palavras, a ressonância detectou no lobo temporal da
paciente atividade cerebral idêntica à do grupo-controle, e distinta
da que foi detectada diante de ruídos aleatórios. E, mais, frases que
continham palavras com sons ambíguos produziam atividade adicional nos
centros que operam processos semânticos fundamentais para a
compreensão da palavra falada (região frontal inferior esquerda).

Num segundo experimento, os médicos propuseram à doente e aos
voluntários que imaginassem visitar todos os quartos de casa, partindo
da porta de entrada ou que imaginassem estar jogando tênis. Foi
detectada atividade cerebral intensa nos centros que coordenam
orientação espacial e nas áreas do controle motor. Novamente, os mapas
da atividade mental foram indistinguíveis daqueles encontrados no
grupo-controle.

Apesar de preencher totalmente os critérios clínicos para sua condição
ser classificada como vegetativa, a paciente mantinha habilidade de
entender a linguagem falada e de responder por meio de atividade
cerebral condizente com um ato claro de intenção.

É evidente que não podemos generalizar os resultados obtidos com essa
jovem de 23 anos, portadora de poucas lesões cerebrais, mas a presença
de respostas tão elaboradas a comandos de voz sugere que a ressonância
funcional pode ser útil na avaliação do estado de consciência de
pacientes não comunicativos.

Quando for possível documentar a existência de focos residuais de
atividade cognitiva, poderão ser desenvolvidas estratégias para
modulá-los com a finalidade de tentar estabelecer algum tipo de
comunicação interpessoal.

Veja o anexo...

Desejo a você uma excelente semana...

Abração.

2 comentários:

Baldoino Soares Badu disse...

Minha irmã parece estar nesse estado tido como vegetativo quem a visita tem essa impressão, mas sabemos nós (equipe direta) que ela tem conhecimento de tudo a sua volta, seria a força do seu espírito iluminado? A sua religiosidade? Nós conversamos pelo olhar e gestos da face e sabemos quando algo não agrada.
Cuidar é o ato de dedicação e amor, mas é preciso saber fazer!!!

Vera Peres disse...

Tenho também dos casos na família: um primo de minha mãe, há mais de 8 anos em estado vegetativo, e outro de primeiro grau, acometido por um tumor no cerebelo que após retirado por cirurgia o deixou inutilizado. Após 4 nos de internações, cirurgias, ratamentos, ficou lúcido mas, sem poder soltar a voz. Seu atual estado de saúde tornou-se vegetativo após outra cirurgia que alimentou esperanças de recobrar seus movimentos. O efeito foi contrário, Além de frequentes convulsões, ele já não reconhece pessoas, vivendo seu mundo e aguardando ser chamado. Sofrimento geral.
Amor é realmente essencial, mas o lapso de tempo traz fadiga, o convênio de saúde já dificulta procedimentos, porque ele é do interIor do ESTADO, desencadeando outros problemas.
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