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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Oportunidade Tratamento Gratuito para Artrite Reumatoide


Oportunidade de tratamento para Artrite Reumatoide.



CEPIC “Centro Paulista de Investigação Clínica” seleciona pessoas com Artrite Reumatoide, para estudos clínicos de novos e inovadores medicamentos.
A CEPIC está com 3 protocolos de tratamento para Artrite Reumatoide.
Para participar, basta ter Artrite Reumatoide e preencher um dos critérios abaixo, porém, se você deseja ser voluntário na Pesquisa Clínica, ligue e agende uma avaliação é gratuito e sem nenhum custo para você.
PROTOCOLO 1:
  • Artrite Reumatoide
  • Que não estão respondendo ou são intolerantes a qualquer DMARD (Levuflonamida, Azatioprina, Sulfasalazina, MTX, Cloroquina e Hidroxicloroquina)
  • Que tenham usado 1 ou 2 medicamentos biológicos Anti-TNF (Anti-TNF: Adalimumabe, Infliximabe, Etanercepte, Rituximab, Abatacept)
PROTOCOLO 2:
  • Artrite Reumatoide
  • Que não estão respondendo ou são intolerantes a qualquer DMARD (Levuflonamida, Azatioprina, Sulfasalazina, MTX, Cloroquina e Hidroxicloroquina)
  • Que nunca tenham utilizado Medicamento Biológico.
PROTOCOLO 3:


  • Artrite Reumatoide
  • Que não estão respondendo ou são intolerantes a Medicamentos Biológicos Anti-TNF.
  • Que estejam usando apenas Metrothexate
A pessoa com Artrite Reumatoide que se inscreve como voluntária na pesquisa clínica, recebe desde o momento da triagem, toda a assistência médica e multidisciplinar necessária, assim como o medicamento do tratamento proposto de forma gratuita e com garantia de continuidade de tratamento.
O Blog Artrite Reumatoide e Grupo EncontrAR apoia a Pesquisa Clínica na CEPIC desde Outubro/2010 e nunca tivemos nenhum tipo de problemas com as pessoas que foram encaminhadas.
Seja um paciente voluntário nos estudos clínicos de novos medicamentos, participar de pesquisa clínica, não é ser cobaia, é ser um paciente colaborativo com  a evolução da tecnologia médica.

Inscreva-se:

Vinicius Finardi
Coordenador de Estudos
Tel.:(11) 2271-3493 / (11) 2271-3456

domingo, 1 de maio de 2011

GENE RESPONSÁVEL POR DOENÇA EM CÃES CAUSA DESORDEM NEUROLÓGICA EM HUMANOS

Cães Terriers Tibetanos podem desempenhar papel-chave no teste de novas terapias para o início precoce do Parkinson
Pesquisadores da University of Missouri, nos Estados Unidos, descobriram que mutação genética encontrada em cães Terrier Tibetanos também pode ser encontrada em uma desordem neurológica humana fatal relacionada com a doença de Parkinson.

A doença em Terriers Tibetanos é chamada de ceroidlipofuscinosis neuronal com início na idade adulta (NCL). Nas células do cérebro e dos olhos dos cães, o material que deveria ser "reciclado", se acumula e interfere com a função das células nervosas. Devido a esse acúmulo, próximo da idade de cinco anos, o cão começa a apresentar demência, alterações de comportamento visual, perda da coordenação e mostra a agressão injustificada.
Embora existam muitas formas de NCL em seres humanos, os sintomas da NCL são semelhantes em pessoas e cães, e a doença é fatal para ambos.

Utilizando o mapa do genoma canino e amostras de DNA de cães com diagnóstico de NCL, os pesquisadores foram capazes de identificar o gene específico que causa a NCL. A mutação que descobriram em cães, no entanto, causa uma forma hereditária da doença de Parkinson em seres humanos. Isto sugere que a reciclagem que dá errado em NCL também pode estar envolvida em doenças degenerativas como mal de Parkinson.

Agora, o DNA de cães podem ser testados para identificar a presença do gene modificado e o teste pode garantir que os criadores de Terriers Tibetanos não passem a condição para a próxima geração. Os pesquisadores também acreditam que eles podem ser capazes de testar terapias potenciais humanas nos animais, já que podem usar o teste de DNA para identificar cães afetados antes que eles comecem a mostrar sintomas.

"Olhando através de amostras coletadas de centenas de cães durante muitos anos, chegamos ao ponto onde somos capazes de dizer que esta é uma doença causada pela mutação de um gene", disse o pesquisador Martin Katz. "Encontrar esse gene foi como encontrar uma única casa em uma cidade muito grande, mas tivemos a história da família do cão e as ferramentas para olhar pela cidade de uma forma sistemática para localizar o endereço da mutação responsável pela doença."

A publicação é o resultado de quase 10 anos de trabalho, e os pesquisadores acreditam que não poderia ter ocorrido sem a combinação única de animais e da ciência médica humana.

"Os cães e as pessoas sofrem da mesma doença e é muito mais fácil descobrir problemas genéticos em cães por causa da genética única de cães de raça pura", disse o professor Dennis O'Brien. "Porque temos uma escola de medicina e uma escola de veterinária próximas umas das outras, podemos encontrar os genes do cão e então descobrir se eles causam uma doença semelhante em seres humanos."
19.abril.2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ESTUDO SOBRE A CAUSA DO MAL DE PARKINSON É APRIMORADO EM 2011

Fátima Camilo (Assessoria Sesacre)

Técnica científica possibilita entender como as percepções e pensamentos são gerados

Pesquisadores da Universidade Global de Londres anunciaram em abril, mês de conscientização da doença de Parkinson, uma forma computadorizada de mapear as conexões e funções do cérebro, possibilitando, assim, uma possível cura da doença.

Os estudos possibilitam entender como os pensamentos e percepções são gerados e como essas funções deixam de funcionar resultando nas doenças como Alzheimer, esquizofrenia e mal de Parkinson, entre outras neurodegenerativas.

Sem causa definida, a doença ou mal de Parkinson, como é mais conhecida, é a segunda mais comum entre os idosos. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) citados no Jornal Folha de S. Paulo revelam que 1% da população acima dos 65 anos é portadora do mal de Parkinson. No Brasil, segundo a Associação Parkinson de Brasília, a estimativa é de que pelo menos 200 mil pessoas tenham a doença, que não atinge um grupo especifico de pessoas, mas os sintomas aparecem a partir dos 45 anos.

O Estado do Acre registra, nessa estimativa, 3,5% de pessoas doentes, equivalente a 71 casos do mal de Parkinson cadastrados na rede pública de saúde. Todos os pacientes recebem medicamentos e fisioterapia gratuitamente pelo Estado.


Conhecendo a doença

O mal de Parkinson foi descoberto em 1817, pelo médico inglês James Parkinson, que identificou os sintomas da doença que viria receber seu nome. A doença neurológica degenerativa não tem cura nem causa definida, mas outras formas de parkinsonismo existem, e as mais frequentes são: parkinsonismo secundário, parkinsonismo atípico e parkinsonismo associado a outras doenças.

O parkinsonismo caracteriza-se pela disfunção dos neurônios produtores de dopamina, um hormônio produzido num ponto especial do cérebro. Entretanto, outras estruturas podem ser comprometidas pela falta do hormônio, como, por exemplo, o núcleo pendículo-pontino e núcleo dorsal da raque, levando a anormalidade de outros neurotransmissores.

Na grande maioria dos casos, a doença de Parkinson não é hereditária, isto é, não é  transmitida de uma geração a outra através de determinado gene. No entanto, pessoas que tenham algum parente próximo acometido pelo mal de Parkinson apresentam probabilidade um pouco maior de desenvolverem a doença. Não se sabe ao certo a razão para que isso ocorra, mas admite-se que características genéticas possam aumentar a suscetibilidade à doença.


Principais sintomas

Os sintomas iniciais, como cansaço, fraqueza e pequenos tremores, são sinais suficientes para ocultarem os diagnósticos. No entanto, quando aparecem os chamados "sintomas primários", como tremores, lentidão dos movimentos, dificuldade de levantar-se, locomover-se e mudanças na fala, tornam-se os aspectos típicos da doença que levam ao diagnóstico clínico.

A natureza, a gravidade e a progressão dos sintomas e sinais variam muito de um paciente para outro, por isso não é possível antecipar quais deles poderão afetar determinado paciente com doença, assim como a intensidade de suas manifestações. Ainda não existe um exame capaz de diagnosticar com eficiência o mal de Parkinson, porém, a observação dos sintomas torna a certeza da existência da doença. Os recém-diagnosticados costumam negar “o mal” a todo custo, por isso, muitos pacientes só passam a tomar os medicamentos quando os sintomas estão extremamente avançados, dificultando assim sua vida laboral.


Tratamento do Mal de Parkinson

No momento existem várias formas de tratamento para amenizar os sintomas do mal Parkinson. Na maioria dos casos, o tratamento com medicamentos associado ao tratamento não-farmacológico, tais como fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, costuma ser suficiente para melhorar consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes.

A escolha dos medicamentos ou da combinação de medicamentos vai depender de vários fatores que incluem idade do paciente, tempo de doença, estágio da doença, sintomas predominante, tolerância individual, entre outros. Em alguns casos especiais o tratamento cirúrgico pode ser empregado, como por exemplo, em pacientes com excesso de tremores ou com algumas lesões causadas pelos movimentos involuntários.


Como conviver com a doença

O mal do Parkinson é uma doença difícil de tratar pela dependência do paciente, no entanto, a solidariedade e o carinho da família, aliados ao convívio com as associações de apoio, são fundamentais para resgatar a independência do paciente, que normalmente estão deprimidos e isolados da sociedade em função dos medicamentos.

Segundo o aposentado Lino Elias da Silva, 60, “os familiares são os responsáveis pela minha sobrevivência, pois tenho consciência das minhas limitações e sempre tento relevar os problemas diários. Faço hidroginástica, fisioterapia, massagem, enfim, tudo o que é possível para levar uma vida melhor”, afirma.

De acordo com o neurologista Renato Fonseca, lidar com a família pode ser mais difícil do que com a própria doença. “O comportamento dos que os cercam é crucial para o sucesso de seu tratamento, a compreensão e apoio da família são primordiais para a qualidade de vida do paciente”, explica.

domingo, 29 de agosto de 2010

POR DENTRO DO CÉREBRO…

O neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho conta os avanços nos tratamentos de doenças como o mal de Parkinson, e como evitar aneurisma e perda de memória.
E projeta, ainda, o futuro próximo, quando boa parte do sistema neurológico estará sob controle do homem.

Chegar à casa do neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, no alto da Gávea, no Rio de Jane iro, é uma emoção. A começar pela vista deslumbrante da cidade, passando pelos macacos que passeiam pelos galhos até avistar as orquídeas que caem em pencas das árvores, colorindo todo o jardim.
Cada uma dessas flores foi presente de um paciente do médico, que sua mulher, Isabel, replantou na parte externa da casa.
Ou seja: a competência desse médico, com 33 anos de profissão, que dedica sua vida à medicina com a paixão de um garoto, pode ser contada em flores. E são muitas.
Filho do lendário neurocirurgião Paulo Niemeyer, pioneiro da microneurocirurgia no Brasil, e sobrinho do arquiteto Oscar Niemeyer, Paulo escolheu a medicina ainda adolescente.

Aos 17 anos, entrou na Universidade Federal do Rio de Jane iro (UFRJ).
Quinze dias depois de formado, com 23 anos, mudou-se para a Inglaterra, onde foi estudar neurologia na Universidade de Londres.

De volta ao Brasil, fez doutorado na Escola Paulista de Medicina.
Ao todo, sua formação levou 20 anos de empenho absoluto. Mas a recompensa foi à altura. Apaixonado por seu ofício, Paulo chefia hoje os serviços de neurocirurgia da Santa Casa do Rio de Jane iro e da Clínica São Vicente, onde atende e opera de segunda a sábado, quando não há uma emergência no domingo, e ainda encontra tempo para dar aulas no curso de pós-graduação em neurocirurgia da PUC-Rio.
Por suas mãos já passaram o músico Herbert Vianna – de quem cuidou em 2001, depois do acidente de ultraleve em Mangaratiba, litoral do Rio -, o ator e diretor Paulo José, a atriz Malu Mader e, mais recentemente, o diretor de televisão Estevão Ciavatta – marido da atriz Regina Casé que, depois de um tombo do cavalo, recupera-se plenamente -, além de centenas de outros pacientes, muitos deles representados pelas belas flores que enchem de vida o seu jardim.

PODER: Seu pai também era neurocirurgião. Ele o influenciou?

PAULO NIEMEYER: Certamente. Acho que queria ser igual a ele, que era o meu ídolo.

PODER: Seu pai trabalhou até os 90 anos. A idade não é um complicador para um neurocirurgião? Ela não tira a destreza das mãos, numa área em que isso é crucial?

PN: A neurocirurgia é muito mais estratégia do que habilidade manual. Cada caso tem um planejamento específico e isso já é a metade do resultado. Você tem de ser um estrategista..

PODER: O que é essa inovação tecnológica que as pessoas estão chamando de marcapasso do cérebro?

PN: Tem uma área nova na neurocirurgia chamada neuromodulação, o que popularmente se chama de marcapasso, mas que nós chamamos de estimulação cerebral profunda. O estimulador fica embaixo da pele e são colocados eletrodos no cérebro, para estimular ou inibir o funcionamento de alguma área. Isso começou a ser utilizado para os pacientes de Parkinson. Quando a pessoa tem um tremor que não controla, você bota um eletrodo no ponto que o está provocando, inibe essa área e o tremor pára. Esse procedimento está sendo ampliado para outras doenças. Daqui a um ou dois anos, distúrbios alimentares como obesidade mórbida e anorexia nervosa vão ser tratados com um estimulador cerebral. Porque não são doenças do estômago, e sim da cabeça.

PODER: O que se conhece do cérebro humano?

PN: Hoje você tem os exames de ressonância magnética, em que consegue ver a ativação das áreas cerebrais, e cada vez mais o cérebro vem sendo desvendado.
Ainda há muito o que descobrir, mas, com essas técnicas de estimulação, você vai entendendo cada vez mais o funcionamento dessas áreas. O que ainda é um mistério é o psiquismo, que é muito mais complexo. Por quê um clone jamais será igual ao original?
Geneticamente será a mesma coisa, mas o comportamento depende muito da influência do meio e de outras causas que a gente nunca vai desvendar totalmente.

PODER: Existe uma discussão entre psicanalistas e psiquiatras, na qual os primeiros apostam na melhora por meio da investigação da subjetividade, e os últimos acreditam que boa parte dos problemas psíquicos se resolve com remédios. Qual é sua opinião?

PN: Há casos de depressão que são causados por tumores cerebrais: você opera e o doente fica bem. Há casos de depressão que são causados por deficiência química: você repõe a química que está faltando e a pessoa fica bem. Numa época em que se fazia psicocirurgia existiam doentes que ficavam trancados num quarto escuro e, quando faziam a cirurgia, se livravam da depressão e nunca mais tomavam remédio. E há os casos que são puramente psíquicos, emocionais, que não têm nenhuma indicação de tomar remédio.

PODER: Já existe alguma evolução na neurologia por causa das células-tronco?

PN: Muito pouco. O que acontece com as células-tronco é que você não sabe ainda como controlar. Por exemplo: o paciente tem um déficit motor, uma paralisia, então você injeta lá uma célula-tronco, mas não consegue ter certeza de que ela vai se transformar numa célula que faz o movimento. Ela pode se transformar em outra coisa, você não tem o controle ainda.

PODER: Existe alguma coisa que se possa fazer para o cérebro funcionar melhor?

PN: Você tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter motivação. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.

PODER: Cabeça tem a ver com alma?

PN: Eu acho que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma. Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo.

PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?

PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral.
Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma seqüela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes de ele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.

PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?

PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.

PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?

PN: O exagero. Na bebida, nas drogas, na comida. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bem num corpo muito maltratado, e vice-versa.

PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?

PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.

PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?

PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso o que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem de saúde, de aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha, não é?

PODER: Você não vê contraindicações na manipulação dos processos naturais da vida?

PN: O que é perigoso nesse progresso todo é que, assim como vai criar novas soluções, ele também trará novos problemas. Com a genética, por exemplo, você vai fazer um exame de sangue e o resultado vai dizer que você tem 70% de chance de ter um câncer de mama. Mas 70% não querem dizer que você vai ter, até porque aquilo é uma tendência. Desenvolver depende do meio em que você vive, se fuma, de muitos outros fatores que interferem. Isso vai criar um certo pânico. E, além do mais, pode criar problemas, como a companhia de seguros exigir um exame genético para saber as suas tendências. Nós vamos ter problemas daqui para a frente que serão éticos, morais, comportamentais, relacionados a esse conhecimento que vem por aí, e eu acho que vai ser um período muito rico de debates.

PODER: Você acredita em que, na hora em que as pessoas puderem decidir geneticamente a sua hereditariedade e todo mundo tiver filhos fortes e lindos, os valores da sociedade vão se inverter e, em vez do belo, as qualidades serão se a pessoa é inteligente, se é culta, o que pensa?
PN: Mas aí você vai poder escolher isso também. Esse vai ser o problema: todo mundo vai ser inteligente. Isso vai tirar um pouco do romantismo e da graça da vida. Pelo menos diante do que a gente está acostumado. Acho que a vida vai ficar um pouco dura demais, sob certos aspectos. Mas, por outro lado, vai trazer curas e conforto.

PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?

PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.

PODER: Paciente famoso dá mais trabalho?

PN: A revista New England Journal of Medicine publicou um artigo sobre as complicações do tratamento vip, mostrando que o perigoso nesse tipo de tratamento é que você muda a sua rotina. Eles deram o exemplo do papa João Paulo 2º e do ex-presidente norte-americano Ronald Regan, que levaram tiros. E mostraram momentos em que eles quase morreram porque, quando chega um doente desses, o hospital pára, todo mundo quer ver e ajudar, a sala de cirurgia fica lotada, o cirurgião deixa de fazer um exame que devia ser feito porque pode doer… O doente vip acaba influindo nas decisões médicas pela importância que tem, e isso pode complicar o tratamento. Ele tem de ser tratado igualzinho ao doente comum para poder dar certo.

PODER: Já aconteceu de você recomendar um procedimento e a pessoa não querer fazer??

PN: A gente recomenda, mas nunca pode forçar. Uma coisa é a ciência, e outra é a medicina. A pessoa, para se sentir viva, tem de ter um mínimo de qualidade. Estar vivo não é só estar respirando. A vida é um conjunto. Há doentes que preferem abreviar a vida em função de ter uma qualidade melhor. De que adianta ficar ali, só para dizer que está vivo, se o sujeito perde todas as suas referências, suas riquezas emocionais, psíquicas.
É muito difícil, a gente tem de respeitar muito.

PODER: Como é o seu dia-a-dia?

PN: Eu opero de segunda a sábado de manhã, e de tarde atendo no consultório. Na Santa Casa, que é o meu xodó, nós temos 50 leitos, só para pessoas pobres. Eu opero lá duas vezes por semana. E, nos outros dias, na Clínica São Vicente. O que a gente mais opera são os aneurismas cerebrais e os tumores. Então, é adrenalina todo dia. Sem ela a gente desanima e o cérebro funciona mal. (risos)

PODER: Você é workaholic?

PN: Não é que eu trabalhe muito, a minha vida é aquilo. Quando viajo, fico entediado. Depois de alguns dias, quero voltar. Você perde a sua referência, está acostumado com aquela pressão, aquele elástico esticado.

PODER: Como você lida com a impotência quando não consegue salvar um paciente?

PN: É evidente que depois de alguns anos, a gente aprende a se defender. Mas perder um doente faz mal a um cirurgião. Se acontece, eu paro com o grupo para discutir o que se passou, o que poderia ter sido melhor, onde foi a dificuldade. Não é uma coisa pela qual a gente passe batido. Se o cirurgião acha banal perder um paciente é porque alguma coisa não está bem com ele mesmo.

PODER: Como você lida com as famílias dos seus pacientes?

PN: Essa relação é muito importante. As famílias vão dar tranquilidade e confiança para fazer o que deve ser feito. Não basta o doente confiar no médico, o médico também tem de confiar no doente. E na família. Se é uma família que cria caso, que é brigada entre si, dividida, o cirurgião já não tem a mesma segurança de fazer o que deve ser feito. Muitas vezes o doente não tem como opinar, está anestesiado e no meio de uma cirurgia você encontra uma situação inesperada e tem de decidir por ele. Se tem certeza de que ele está fechado com você, a decisão é fácil. Mas se o doente é uma pessoa em quem você não confia, você fica inseguro de tomar certas decisões. É uma relação bilateral, como num casamento. Um doente que você opera é uma relação para o resto da vida.

PODER: Você acredita em Deus?

PN: Não raramente, depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando você acaba de operar, vai até a família e diz: “Ele está salvo”. Aí, a família olha pra você e diz: “Graças a Deus!”. Então, a gente acredita que não fomos apenas nós.

PODER: Como você relaxa?

PN: Estudando. A coisa de que mais gosto de fazer é ler. Sábado e domingo, depois do almoço, gosto de sentar e ler, ficar sozinho em silêncio absoluto.

PODER: E o que gosta de ler?

PN: Sobre medicina ou história. Agora estou lendo um livro antigo, chamado Bandeirantes e Pioneiro, do Vianna Moog, no qual ele compara a colonização dos Estados Unidos com a do Brasil. E discute porque os Estados Unidos, com 100 anos a menos que o Brasil, tiveram um enriquecimento e um progresso tão rápidos. Por que um país se desenvolveu em progressão geométrica e o outro em progressão aritmética.

Publicado por Tulio em 29 de agosto, 2010.
Fonte: eHelpCarolina