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terça-feira, 13 de setembro de 2011

O murro em ponta de faca do teatro de classe média não convence Paulo José


11/09/2011 - (...) Na entrevista a seguir, cujos destaques estão na edição impressa da Ilustríssima de 11 de setembro, Paulo cutuca a dramaturgia brasileira atual, critica a fixação do cinema por linguagens importadas e fala da doença que o acomete há 18 anos, o mal de Parkinson. Em quase duas horas e meia de conversa, os poucos sintomas visíveis são a perda de fôlego aqui e ali e a lentidão na superação de determinadas sílabas. (...)

Falando agora um pouco sobre o 
Parkinson. Que adaptações são necessárias na escolha dos personagens que vai encarnar e em sua movimentação de cena por causa da doença?

Eu estou bem melhor agora do que há três, quatro anos. Porque fiz uma cirurgia de instalação de uma espécie de marca-passo cerebral, que é pouco conhecida no Brasil, por ser cara. É considerada experimental. O seguro nem paga a cirurgia. Tive a sorte de a Globo bancar uma boa parte. Não paguei nada. Custa uns R$ 200 mil. A frequência elétrica emitida pelo dispositivo inibe os movimentos involuntários, acaba com os tremores e com a rigidez muscular.

Muitas pessoas com 
Parkinson são maltratadas, pouco assistidas. A medicação é cara. O governo tem obrigação de dar de graça. Mas há obstáculos. Às vezes, você vai ao posto de saúde e não tem o remédio. E na farmácia, custa R$ 600, R$ 700 um vidrinho. [Com a operação] Diminuí a medicação, os efeitos colaterais. A medicação forte faz com que comecem a aparecer uns efeitos colaterais que você queria evitar. Você fica mais parkisoniano do que era. Tem um efeito sensacional. É claro que não posso fazer o papel de um corredor, de um fundista. Mas a idade de qualquer forma não me permitiria isso. Mas papéis que demandem pouco exercício, movimento dá para fazer bem.

Para a doença, o fato de eu estar em cena é ótimo. O ator quase não tem 
Parkinson. O personagem é mais forte do que o ator. Tem uma concentração de energia que te coloca em cena direito. O que te deixa inseguro é ter texto novo, ter de criar texto. Se você já tem, pelo menos em linhas gerais, a condução do personagem, está só repetindo: já viu, já andou ali. É fácil, fica fácil.

Em cena, você recorre a apoios, fica mais tempo sentado?

Agora, tenho de ficar sentado, porque me canso muito ficando de pé. E é preferível, sim, ter apoio para o braço [mostra o corrimão de ferro que mandou instalar na lateral do tablado de madeira doméstico em que ensaia suas peças].

Como é lidar com a reação das pessoas ao 
Parkinson? Algumas, no afã de agradar, devem ser tomadas por um zelo excessivo, vitimizante, não?

Tem um negócio que é irritante: ser tratado como criança pelas enfermeiras do hospital. "Chegou a sopinha, vovô vai tomar a sopinha dele agora!". Porra, caralho, que sopinha o quê! Tem muito isso.

Você chega a se irritar?

Algumas pessoas dizem assim: "Nossas estimas de melhoras, viu?" Que melhoras, porra, eu tenho uma doença degenerativa! E nas lojas, com aqueles detectores de metal na porta, tenho de pedir para desligarem o aparelho antes de entrar, porque senão pode desconectar meu marca-passo. Às vezes, a negociação demora. Teve um cara que veio me atender, enquanto desligavam o detector, e disse: "Nossa, mas que doença terrível o senhor tem! Que barbaridade! Tenho uma pena do senhor. Eu me matava, não aguentava ficar assim".

E quando foi que a doença mais atrapalhou o exercício da profissão?

Eu fazia muita locução. Comecei a ir a estúdios para gravar anúncios, documentários. E tinha dificuldade. Muitas vezes, passei o constrangimento de o diretor dizer: "Vamos deixar para outra vez, não está dando certo". Ficava encabuladíssimo. Sou mais lento, né? Vou trabalhando palavra por palavra. Aí fiz o seguinte: montei um estúdio em casa. Porque aí, se não estou bem, não faço nada naquele dia, ou faço bem devagar. 
A doença tem muitas variações, altos e baixos. E também não fico angustiado de estar usando o estúdio de outro, né? Isso dá uma aflição, é horrível. Fiz o [filme] "Quincas Berro d'Água". O Sergio Machado [diretor] queria que eu fizesse, mas sabia que estava doente. Minha mulher [Kika Lopes], que era a figurinista, disse que eu estava bem. "Como assim, está bem?", respondeu o Sergio. Aí ele veio falar comigo. Corre a notícia no meio de que você não pode fazer nada, está acabado. Com "O Palhaço", foi a mesma coisa. A Vânia [Cattani, produtora] ficou dando volta, estava reticente.

Você acompanha os estudos relacionados ao mal de 
Parkinson, os testes de tratamentos alternativos?

Sim. Estão aparecendo muitas coisas novas. No ano que vem, deve haver novidades. 
São medicações que te deixam quase normal. Ninguém se preocupa com a cura do Parkinson.Os laboratórios querem manter você um doente legal, mas pagando sempre, dependente deles. Há grandes avanços. Até algumas décadas atrás, a expectativa de vida [geral, no mundo] era muito mais baixa, então havia menos casos de Parkinson. Hoje, há casos de pessoas com 80, 90 anos e que têm a doença. Tem muito milionário americano que faz doações para laboratórios. É toda uma rede armada da qual você não pode escapar.

As pesquisas com células-tronco, visando à cura efetiva do 
Parkinson, estão muito atrasadas. O Bill Clinton [quando presidente dos EUA] tinha feito um projeto especial para desenvolver pesquisas sobre a doença. Mas logo entrou o Bush e reverteu tudo. O dinheiro acabou. Doença era problema dos laboratórios, o governo não tinha se de meter com isso. Fonte: Folha de S.Paulo.
Foi a entrevista mais esclarecedora dele sobre parkinson!

sábado, 15 de maio de 2010

Ator Paulo José passa por uma cirurgia de emergência

O grande ator Paulo José, de 73 anos, terá que passar por uma operação de emergência e por esse motivo a temporada paulistana de seu espetáculo “Um navio no espaço ou Ana Cristina Cristina Cesar” está temporariamente suspensa.Os motivos dessa intervenção cirúrgica, por enquanto, não foram revelados.Paulo José, há 17 anos sofre de Mal de Parkinson.

Fonte: AETV

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Refeito de cirurgia, Paulo José diz que ganhou segurança e volta aos palcos
21.10.09 - Um marca-passo implantado no cérebro reinventou a vida do ator Paulo José. “Eu sou biônico”, brinca o artista de 72 anos, recuperado de uma cirurgia para atenuar os efeitos do mal de Parkinson — que causa sintomas como tremores —, diagnosticado há 16 anos. A bem-humorada declaração sugere ainda seu caráter indestrutível e obstinado, definições bem mais apropriadas ao veterano ator, diretor e pensador, que sofre de um ‘mal’ progressivo e irreversível: quer viver e trabalhar intensamente, sem temer as más ondas que possam aparecer em seu percurso.

Longe dos palcos há nove anos, Paulo José retorna sexta-feira em ‘Um Navio no Espaço ou Ana Cristina Cesar’, que inaugura o Teatro Oi Futuro, em Ipanema. Na peça em homenagem à poeta morta na década de 80, o ator divide a cena com Ana Kutner — uma de suas três filhas do casamento com Dina Sfat —, a quem também dirigiu. “A vida é feita de acasos. Quem planeja já sabe que vai dar errado. A ideia de fazer o espetáculo está rolando há tempos”, diz Paulo, que atribui à última cirurgia a segurança para voltar às temporadas teatrais. “A operação me fez muito bem e me senti apto a voltar, pois agora controlo melhor os movimentos”, explica.

No tempo de cortinas fechadas, Paulo esteve (muito) envolvido com cinema, TV e projetos da cena cultural, e não perdeu a leveza. “É meu ‘Parkinson de Diversões’. Eu me dou bem com a doença. Quando as peças estão saindo da garantia, com a idade, vão aparecendo os problemas. Tem gente que tem gota, o fígado está um patê... A doença é degenerativa, mas o envelhecimento o é”, resume, sabiamente. (...)

ATOR FARÁ MAIS UMA CIRURGIA
Ativo, Paulo José luta há 16 anos contra o mal de Parkinson e, no final do ano passado, fez a primeira etapa de uma cirurgia de estímulo cerebral profundo. De acordo com o chefe da neurocirurgia do Hospital Geral de Ipanema, Salim Michel, esse é o procedimento mais promissor dentro das condutas de hoje.

“É colocado um marca-passo no cérebro que diminui principalmente o tremor e a agitação. A bateria precisa ser trocada com frequência”, explica o médico. Paulo José ainda vai operar o outro lado do cérebro. “Vou fazer o segundo ato, pois a melhor cirurgia é a bilateral”, diz o ator. Fonte: O Dia.
Em verdade se implantam eletrodos no cérebro e marca-passo no peito. E não troca bateria, troca todo o estimulador.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Paulo José
Nesta quinta-feira (9), o ator Paulo José apadrinha uma importante iniciativa da Associação Brasil Parkinson e da Academia Brasileira de Neurologia, criada para alertar a população para a importância do diagnóstico e tratamento da doença de Parkinson

Paulo José foi escolhido pelas duas entidades, por ser considerado um exemplo de superação na luta contra o Parkinson, doença com a qual foi diagnosticado há 16 anos.

Na quinta, ele contará sua história, como descobriu e convive com a doença de Parkinson. Além disso, a neurologista e presidente da Academia Brasileira de Neurologia, Dra. Elza Dias Tosta, apresentará um panorama da doença no Brasil e no mundo, além das novidades de tratamento.

Sobre o
Parkinson
O Mal de Parkinson é uma das doenças neurológicas mais comuns, e acomete cerca de 1a 3% da população acima dos 65 anos. Muitas pesquisas estão sendo realizadas, focadas na doença de Parkinson. Progressos na compreensão da causa e dos mecanismos envolvidos nesta doença permitirão, no futuro, cessar ou até mesmo reverter seu curso progressivo.

Serviço
Local: Associação Brasil Parkinson
Endereço: Av. Bosque da Saúde, 1155, São Paulo – auditório
Data: 9/4/2009
Horário: a partir das 12h
Fonte: O Fuxico.

ATENÇÃO: No dia 09/04, quinta-feira será uma audiência exclusiva e fechada para a imprensa, convites já emitidos. Para o publico em geral as comemorações serão no Ibirapuera dias 10/04 e 11/04, conforme programação já divulgada em circular enviada a todos os associados da ABP e divulgado no blog.